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“Nossa filosofia é oferecer transmissão ética, cientificidade e aperfeiçoamento na área da saúde, através de uma política humanizada e atendimento sistemático do paciente / família / equipe”
Quinta-Feira, 09 de Setembro de 2010 - 2:28
 
 
 
 
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  A importância da permanência de familiares durante a hospitalização infantil.
 
  A importância da permanência de familiares durante a hospitalização infantil.
A UTI, Unidade de Terapia Intensiva, é o local onde são internados pacientes em estado grave e necessitados de cuidados médicos intensivos. As ações ali desempenhadas devem ser diuturnas, rápidas e precisas, exigindo permanentemente assistência médica e de enfermagem. Na maioria das vezes são áreas restritas à circulação, onde os familiares geralmente têm pouco ou nenhum acesso. (Romano, 1999; Simonetti, 2004).
 
 


Assim, pode-se encarar a hospitalização, principalmente em UTI, como sendo uma situação que evoca a fragilidade humana, uma vez que expõe o indivíduo ao convívio e dependência de pessoas desconhecidas, submetendo-o a exames e procedimentos constantes.  No caso da internação de crianças essa realidade não é diferente.

            A internação hospitalar gera a limitação de atividades, levando a alterações no desenvolvimento intelectual e afetivo de sua personalidade.  A internação gera também a separação da criança com seu mundo exterior (familiares, amigos, ambiente) e expõe o paciente ao sofrimento físico e psíquico devido à grande quantidade de procedimentos (muitas vezes dolorosos), ao tratamento e à adaptação à doença.

            O objetivo do atendimento da equipe de saúde deve seguir o princípio de minimizar o sofrimento da criança hospitalizada, promovendo-lhe saúde e principalmente fazendo dessa criança um elemento ativo no processo de internação e doença.

Camon (2003) explica que uma das formas de minimizar esse sofrimento da criança é através da valorização de suas relações familiares, permitindo a presença dos pais durante o processo de internação.  O mesmo autor complementa que o maior malefício inerente ao processo de hospitalização se refere à separação da criança doente de sua mãe justamente num momento de crise, determinado pela doença, em que a criança necessita basicamente de apoio e carinho materno.

Spitz (1954), citado por Nigro (2004), estuda o vínculo mãe-filho e as conseqüências da carência afetiva provocada pela separação sem que exista um substituto materno que restabeleça os cuidados afetivos, situação que poderá gerar quadros patológicos graves, como a síndrome do hospitalismo, a depressão e até a morte.

As crianças privadas parcial ou totalmente dos cuidados maternos poderão sofrer um fracasso no desenvolvimento de sua personalidade na medida em que é a mãe, nos primeiros anos de vida, quem lhes transmitirá os dados essenciais para esse desenvolvimento.  A criança hospitalizada passa por uma quebra dessa relação, podendo então apresentar graves deformações emocionais, físicas e intelectuais. 

            Não só o contato materno deve ser considerado, mas também de todos os membros de sua família.  Camon (2003) explica que a ausência da família leva a criança a sentir-se abandonada, pois mesmo que já seja capaz de perceber a situação de separação, terá poucos recursos para elaborar as explicações dadas e os acontecimentos, despertando então sentimentos de angústia, necessidade exagerada de amor, sentimentos de vingança, e conseqüentemente, culpa e depressão.

            As conseqüências para os sentimentos gerados pela privação do contato familiar pode se apresentar de várias maneiras, por exemplo: perda de peso, inapetência, problemas no sono, diminuição de vocalização, apatia, queda de imunidade, e até mesmo regressão no processo de maturação psico-afetiva, expressando perturbações de marcha, fala e controle de esfíncteres. (Camon, 2003).

            Além da permanência dos pais na unidade de terapia intensiva pediátrica, é importante também a possibilidade de recebimento de visitas do restante dos familiares, pois deve-se considerar que seja impossível que a equipe de saúde posso transmitir o mesmo afeto que os familiares do paciente. Camon (2003).  Além disso, deve-se considerar que as crianças que recebem visitas diárias enquanto estão internadas mostram-se mais seguras e confiantes, pois se encontram num momento traumático em que necessitam receber todo o apoio e carinho, fatores que contribuem para uma recuperação mais rápida e efetiva do paciente.

 

Referências

 

Camon, V.A. (org) (2003). A psicologia no hospital. São Paulo: Thomson.

 

Nigro, M. (2004). Hospitalização: o impacto na criança, no adolescente e no psicólogo hospitalar. São Paulo: Casa do Psicólogo.

Romano, B.W. (1999). Princípios para a prática da psicologia clínica em Hospitais. São Paulo: Casa do Psicólogo.


Autor(es):  Lilian Sacagami CRP 08/12046
Psicóloga Clínica e Hospitalar
Responsável pelo serviço de psicologia nas UTI Cardiológica e na UTI Pediátrica do Hospital VITA Curitiba.
Pós-Graduada em Psicologia Clínica: Terapia Cognitiva e Comportamental pela FEPAR.

E-mail: sg_lilian@yahoo.com.br

 
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