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Estes são alguns elementos de discussão desta reflexão, que busca como fundamentos da Responsabilidade Social o desenvolvimento do sentimento de pertença a uma coletividade, a ética, a preocupação no estabelecimento de redes sociais de apoio e cooperação, na tipologia de Jacobs - “Cidades Vivas versus Cidades Mortas”- e a definição dos vários tipos de responsabilidade que uma organização tem ao longo de sua existência.
Com isso, encontra-se o ponto de interlocução entre o ideal de Responsabilidade Social e o desenvolvimento de forma sustentável.
A forma de relacionamento das organizações com o meio-ambiente e os seus diversos públicos vai determinar se suas práticas são sustentáveis ou não.
O Instituto Ethos (2004) entende por responsabilidade social empresarial a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona. Além disso, destaca que é preciso o estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para gerações futuras, respeitando a diversidade e a redução das desigualdades sociais.
O estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável implica no atendimento das necessidades das gerações correntes sem comprometer a capacidade de atender as necessidades e aspirações das gerações futuras. E, além disso, respalda-se na forma de gestão que atenda a coletividade a partir do equacionamento de problemas específicos por meio do inter-relacionamento não conflituoso entre os campos da economia, do espaço, da saúde, da educação, da cultura e do meio-ambiente. (SILVA, 2005).
Em um entendimento mais amplo a responsabilidade social é o um sentimento de pertença a um grupo, a uma nação ou ao planeta e concomitantemente a esse sentimento, é assumir responsabilidades conjuntamente, de forma cooperativa, visando o bem-estar coletivo.
Podemos entender como grupo o terreno sobre o qual a pessoa se sustenta. A estabilidade ou instabilidade do comportamento do indivíduo depende da sua relação com o grupo. Quando sua participação está bem estabelecida, seu espaço de vida se caracteriza por uma estabilidade maior do que quando ela não está bem definida. (LEWIN,1974).
O indivíduo aprende desde cedo a utilizar o grupo como instrumento para satisfazer suas necessidades físicas e sociais. Quando adulto, seu status social é um instrumento importante nas suas relações profissionais, sociais, familiares, etc.
É possível o indivíduo conciliar suas aspirações pessoais com as do grupo. A sensação de pertença do indivíduo a determinado grupo não quer dizer que, em todos os aspectos, ele deva estar de acordo com os objetivos, regulamentos, estilos de vida e pensamento do grupo. O indivíduo precisa de suficiente espaço de movimento livre no interior do grupo para atingir seus objetivos pessoais e satisfazer suas necessidades individuais.
Os objetivos do grupo não precisam, pois, ser idênticos aos objetivos do indivíduo, e, freqüentemente, num grupo bem organizado, os objetivos dos membros são diferentes.
Para que haja uma mudança social e equilíbrio na relação de grupo precisamos entender o movimento do grupo como um processo. Provocar uma mudança social significa, portanto, agir sobre esse equilíbrio no sentido de alterar seu nível primitivo. O comportamento social resulta da inter-relação destas entidades tais como: grupos, subgrupos, membros, barreiras, canais de comunicação, etc.., ou seja, para se buscar o consenso de responsabilidade social no grupo é necessário que o mesmo ande de mãos dadas com uma postura sustentável .
A responsabilidade social deve abranger os conceitos de sustentabilidade, tendo em vista que é fomentada pela integração cooperativa entre as pessoas em prol do bem-estar coletivo e, portanto, precisa buscar a integração harmoniosa entre as dimensões social, econômica, cultural, ambiental e local.
O desenvolvimento sustentável de uma sociedade só é possível a partir desta integração, visando atender as necessidades das gerações correntes sem comprometer a capacidade de atender as necessidades e aspirações das gerações futuras.
Cabe ressaltar, que na ética tradicional não era possível a reflexão da relação entre os homens e a natureza, pois se acreditou durante muito tempo, que esta era imutável e finita e que as transformações só aconteciam no ambiente humano, ou seja, a crença na imutabilidade essencial da natureza foi o pano de fundo para todos os empreendimentos do homem mortal.
Entretanto, a concretude das conseqüências ambientais decorrentes das ações do homem e do antropocentrismo da ética humana, levou este a perceber que a natureza é finita e vulnerável as suas ações. E, somente, a partir desta nova percepção que se construiu a ciência do meio ambiente, a ecologia.
Essa modificação da representação do homem na natureza, ou seja, do homem como fator causal no complexo sistema das coisas, mostrou a interdependência entre o homem e o extra-humano. (JONAS, 2006)
A sustentabilidade da raça humana depende da sustentabilidade da natureza, e mesmo com toda liberdade concedida à autodeterminação humana, as condições básicas para a existência humana poderão acabar, se não houver um comprometimento e um agir coletivo.
É somente pela construção de redes sociais, por meio do esforço coletivo e cooperativo, que se gera um capital social para uma sociedade e, que segundo Alva (1997) as cidades insustentáveis não possuem essa capacidade endógena de gerar mudanças e de capital social.
A organização, participação, cooperação, solidariedade, confiança e iniciativa constituem a base de um novo modelo de desenvolvimento: o desenvolvimento sustentável.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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ALVA, E. . Metrópoles (In)Sustentáveis. Bonsucesso, RJ: Relume-Dumara, 1997.
ASHLEY, P. Ética e responsabilidade social nos negócios. São Paulo: Saraiva, 2001.
DAFT, R. Administração. Rio de Janeiro: LTC, 1999. |
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GRAYSON, D., HODGES, A. Compromisso social e gestão empresarial. São Paulo: PubliFolha, 2002.
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JONAS, H. O princípio da responsabilidade. Trad. Marijane Lisboa, Luiz Barros Montez. Rio de Janeiro: Contraponto: Ed. PUC-RIO, 2006.
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REFERENCIAS ELETRÔNICAS
http://www.ethos.org.br
http://www.ipea.org.br
http//www.setor3.org.br
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Autor(es):
Raquel Pusch de Souza
Psicóloga Clinica
Presidente do Depto. de Psicologi AMIB
Mestre em Organizações e Desenvolvimento - Políticas Públicas
Cood. dos Serviços de Psicologia dos Hospitais VITA Curitiba / Hosp. Naçoes e NS Fátima.
E-mail: pusch11@terra.com.br
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