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Sabe-se que profissionais que se sentem seguros em propor a possibilidade de doação e que se mostram preocupados com a família associam-se a taxas de consentimento mais elevadas.
O encontro com a família do potencial doador deve acontecer num ambiente calmo, com acomodações adequadas a todos os familiares e amigos que queiram participar. Não é aconselhada a abordagem em corredores e dentro da UTI. Antes de se iniciar a abordagem, é necessário que certificar-se de que todos os membros da família entendem que seu parente está morto. No início da abordagem, é importante permitir que a família possa falar um pouco sobre o seu ente querido, sobre o ocorrido, para que possam sentir-se acolhidas pelo entrevistador. O profissional que irá conversar com os familiares precisa estar tranqüilo, sem pressa, procurar respeitar o ritmo de assimilação de cada familiar e não interrompê-los quando estão falando. Perguntar o que o paciente pensava sobre doação de órgãos, se era ou não doador, é uma boa maneira de introduzir o assunto.
É importante permitir que família possa expressar sua angustia para um profissional capacitado o qual poderá acolher as mais diversas formas de expressão de sentimentos.
Todas as etapas da doação e seus tempos devem ser explicados à família. Deve-se esclarecer também que é possível doar alguns órgãos, não outros, e que a decisão de doar pode ser revogada a qualquer momento, mesmo após o termo de consentimento já ter sido assinado.
Segundo Siminoff (2001) explicar para a família alguns pontos específicos associa-se a uma melhor taxa de consentimento. Incluem-se nesses pontos questões sobre mutilação e desfiguração do corpo, o impacto da doação no velório e funeral; a ausência de custos para a família do doador e os procedimentos referentes a retirado dos órgãos, quando forem necessários. Vale lembrar que estas informações poderão ser dadas se a família tiver interesse em obtê-las. E que oferecê-las simplesmente poderá causar maior conflito e contribuir para a perturbação do sistema familiar. Onde o mesmo precisa se concentrar no ato de doar e não com questões burocráticas.
As famílias devem saber que a resposta não precisa ser dada no momento da entrevista, que podem se reunir para discutir e tomar a melhor decisão.
A decisão da família deverá sempre ser respeitada e não se recomenda tentar convencer a família de que doação é um ato de amor ou influenciá-la com idéias de moral ou religião.
O profissional que irá abordar a família deve proporcionar um clima confortável para a família decidir, de modo que seus membros se sintam bem, independentemente da sua decisão, que não se sintam obrigados a doar, nem culpados por não doar.
SIMINOFF, L. A. et al. Factors influencing families' consent for donation of solid organs for transplantation. Jama, v. 286, p.71-77, 2001.
Autor(es):
Raquel Pusch de Souza
Psicóloga Clinica
Presidente Depto. Psicologia - AMIB
Mestre em Organizações e Desenvolvimento - FAE - Curitiba
E-mail: pusch11@terra.com.br
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